18 de maio de 2005

Hemiciclo - De Trancoso a Estrasburgo

Tudo começou quando um nosso colega nos perguntou se queríamos participar...Eu já tinha participado e incentivei a Neuza a participar também...inscrevemo-nos e embarcarmos numa aventura que nunca adivinharíamos tão divertida.
As alegrias começaram a chegar com o resultado do casting, a nossa Neuza tinha ficado como presidente da mesa! E continuaram a surgir na sessão distrital pois apesar da equipa ter ficado em décimo primeiro lugar, fui eleita a melhor deputada distrital, o que me dava acesso directo à sessão nacional. Assim como a Neuza que no casting nacional, alcançou o lugar de primeira vice-presidente suplente, garantindo também a sua participação na sessão nacional.
Tudo no corria de feição e um sentimento abrangia as duas: “Que pena não podermos participar outra vez para o ano.” Quanto a mim, que participei pela segunda vez, senti-me de veras envolvida pelo jogo, o que não acontecera no ano anterior.
Bem, mas passemos então à sessão nacional: Domingo, 3 de Abril de 2005. Os meus pais levaram-nos à delegação do IPJ na Guarda, onde nos encontramos com os colegas de Gouveia e partimos para Lisboa. A viagem foi longa mas animada, muita conversa, muitas histórias engraçadas. Chegámos por volta das 18:30 e sentíamos que já nos conhecíamos há anos, demo-nos todos muito bem. A boa disposição reinava ao jantar e enquanto esperávamos o começo da peça de teatro que íamos ver, um debate sobre religião preencheu o tempo. A peça “Confissões de Adolescentes” foi do agrado de todo o auditório independentemente de alguns espectadores já terem assistido.
Esperámos pelo autocarro e fomos levados para o hotel, a boa disposição era geral! Eram já 23h30 e nós ainda não tínhamos decidido se íamos dar uma volta ou não. Finalmente resolvemos ir até ao Hard Rock Café já que poucos o conheciam. A descida a pé pela Avenida da Liberdade foi inesquecível, Lisboa estava fascinantemente calma. De volta ao hotel, as meninas juntaram-se num só quarto e enquanto houve assunto também o professor e os meninos estiveram lá a conversar e a debater questões controversas como o casamento e o celibato. Já cansados resolvemos tentar dormir, porém o entusiasmo era tanto que foi realmente difícil.
08:00, dia 4 de Abril de 2005, todos a tomar o pequeno-almoço, tínhamos que ir para o Palácio de S. Bento. Assistimos a uma cerimónia protocolar protagonizada pelos guardas do Palácio e entrámos para assumir os nossos lugares. De manhã apresentámos as medidas e os argumentos aos nossos colegas deputados e tivemos a oportunidade de as debater num curto espaço de tempo, ainda antes do almoço deu-se o período de conciliação do qual resultaram várias coligações. Almoçámos no ISEG e após termos satisfeito a fome voltámos ao debate. A assistência começava então a chegar e o distrito da Guarda primava pelo apoio que tinha. O debate foi organizado tendo em conta as medidas das coligações e a primeira medida a ser debatida foi precisamente aquela em que nós participávamos. Conseguimos falar todos, no entanto, esgotámos o tempo do nosso distrito logo na primeira parte do debate o que no impediu de discutir outras medidas. Apesar disto a Guarda ficou colocada em terceiro lugar. A verdade é que nenhum dos três estava à espera e acredito que nem a assistência contava com tal classificação. Além de surpreendidos ficámos felizes por sabermos que iríamos participar numa viagem a Estrasburgo com os restantes distritos qualificados e que o nosso trabalho e empenho iriam ser recompensados.
Em jeito de conclusão, posso dizer que foi uma experiência inesquecível que com certeza trará frutos para o meu futuro. Aconselho vivamente a todos os alunos a considerarem empenhar-se e participar.

Tatiana Albino

16 de abril de 2005

E um dia o coração estilhaça...

As histórias de amor são mágicas e profundas até que um dia, por algum motivo, há um coração que se parte, que se estilhaça em mil pedaços e se transforma num puzzle por fazer.
E depois há alturas em que o corpo que carrega o coração dilacerado vai ter que cruzar os olhos feridos com os de quem o despedaçou. E surge aquela sensação de pulmões apertados que não deixam bater o coração, e as lágrimas procuram incessantemente os olhos sempre que o coração insiste em bater. E enfraquecemos.
Por muita força que alguém possa ter, há dias em que essa força que parece brotar do nosso peito deixa de chegar até à nossa alma e desfalecemos, caímos, tentando agarrar algo que nos possa segurar, o nosso orgulho, talvez, se ainda o tivermos.
As dúvidas surgem, isto é amor? O amor é esta confusão de sentimentos? Este sofrimento vale a pena? E talvez surjam também algumas respostas, que nos fazem perceber que o amor, se existe, é fraco, subtil, um sentimento-espelho que nos faz sentir por nós próprios aquilo que não conseguimos sentir por quem nos partiu o coração. Mas o amor também pode ser muito bom, pode trazer felicidade, mas a felicidade não é eterna nem incondicional, e às vezes é o amor que apaga a felicidade. Traiçoeiro este sentimento... A loucura dos incontrolados emocionais, mas quem é que consegue controlar totalmente as emoções, ninguém!
E então pode surgir a raiva, a tristeza, a saudade, a vingança, a resignação...uma série de sentimentos que são catalizados pelo amor. A vida perde o sentido por uns tempos e amaldiçoamos tudo à nossa volta e apregoamos que não temos sorte nenhuma, acreditamos que nunca mais vamos conseguir amar assim, aquela foi a última vez...é sempre a última vez. Passado esse tempo de dor, limpamos o sal da cara, lambemos as feridas e levantamos a cabeça. E a vida volta a ser o que era, apenas ficam cicatrizes, marcas em imagens, momentos, palavras que são guardadas no fundo da memória.
E nesse dia em que o coração se estilhaçou, achámos que não seríamos capazes de apanhar todos os pedaços e colar um a um apara podermos voltar a ter um coração, mas mais tarde, damos conta que afinal até o fizemos. Fomos apanhando todos os vidrinhos que espalhámos pelo chão, sorrimos envergonhados e pedimos desculpa pelo estardalhaço.


Tatiana Albino

11 de abril de 2005

Às vezes...


Às vezes é preciso falar, nem que seja só para preencher o vazio que às vezes se instala no mais recôndito dos nossos dias. Falar, conversas de café, palavras de rua, poesia, narrativas...falar e falar bem! Contar histórias, perguntar, querer saber. E quando não é preciso falar é requerido que se ouça, com toda a atenção e delícia com que nos perdemos a falar. Saber ouvir é metade de saber falar. Quem é bom orador tem que ser melhor ouvinte.
E ás vezes é necessário chorar para lavar o espírito, para limpar o pó da alma e dar brilho ao coração. Chorar e jazer entregue aos sentimentos mais profundos e fatais. Chorar, sofrer, suprimir dilacerando qualquer dor que nos assole a alma. Deixar correr a água salgada pelas faces, sentir os olhos quentes. O nosso organismo tem que libertar-se do sal e a nossa alma da dor. E depois, podemos chorar de alegria, emoção, tudo o que seja um sentimento tão intenso que leve a esta manifestação física. Porque os sentimentos que carregamos necessitam de se escoar de nós e expressá-los é a melhor forma de mostrar que continuamos vivos.
Às vezes é gritante cingir o pensamento à racionalidade para podermos esquecer que um dia precisámos de chorar por termos avançado na escuridão total, mas às vezes é mesmo preciso avançar no escuro, com os pés descalços e as mãos a tocar o vazio, à espera de encontrarem algo suave e firme onde possam apoiar o resto do corpo. E às vezes é imperativo procurar sem encontrar, esticar os dedos numa busca incessante e acabar por desistir por não acharem nada que lhes preencha o tacto.
Às vezes sentimos tanta necessidade de nos sentirmos únicos que a vida nos dói por dentro e aquilo que conservamos no mais íntimo de nós é forçado a sair.


*Publicado no jornal escolar Desafios(Trancoso) em 2004

8 de abril de 2005

um simples poema.. Posted by Hello

6 de abril de 2005

Saberás um dia...


Saberás um dia como me senti naquele momento, como o meu coração saltou quando aquela estrela caiu. Nunca me sentira assim tão leve, tão feliz. A tua mão apertava a minha e os teus braços aqueciam-me a alma.
Conseguia ouvir o teu sorriso roçar no meu cabelo, procurando o meu perfume. Um dia vais compreender que aqueles momentos continuam a fazer-me falta. E com a mesma facilidade com que me abraçaste naquela noite, eu escapei dos teus braços uns meses mais tarde. Eu sempre soube que ias sofrer, que ias chorar, gritar até...Mas eu não te podia contar, não podia estragar aqueles momentos tão perfeitos que me proporcionavas.
No dia em que telefonei para tua casa e atendeste tão alegre...E eu tive que te dizer que estava no hospital e que ia morrer...Custou-me tanto...E tu vieste a correr, agarraste a minha mão para nunca mais a largar.
E foste tu que me levaste até ao céu, um céu feito de estrelas onde o sol e a lua podem finalmente brilhar juntos e onde ainda te espero para me prenderes outra vez nos teus braços como fizeste no dia em que te vi...como se já morasses na minha vida.
Tive tanta pena de te deixar com os meus dedos entrelaçados nos teus, fiquei presa a ti para sempre, a minha pele continua húmida das tuas lágrimas, continuo a ouvir-te chamar por mim naquele quarto de hospital. Foi horrível deixar-te mas agora sei que estava destinado e ainda bem que aconteceu...
Hoje és tu que te perdes no abraço de outra mulher, como eu um dia me perdi no teu, uma mulher que nada tem a ver comigo e que por isso te prende tanto. E tenho a certeza que um dia vais perceber como eu me sentia cada vez que me tocavas, porque um dia...Talvez na terceira ou quarta vez que saíres com essa mulher, vais sentir aquele calor e aquele aperto que se sente no estômago quando gostamos mesmo de alguém...

Tatiana Albino
12/10/04

30 de dezembro de 2004

Perdoa


Perdoa-me as vezes que choro,
perdoa-me também quando coro.
Não ligues à frieza da lua,
perdoa-me por não ser tua.

Não ouças o múrmurio do rio,
nem queiras calar um rouxinol,
corre na noite um vento frio,
a lua encolhe-se, chora pelo sol...

Perdoa aquela folha que caiu
da árvore que tanto a precisava.
Perdoa o amor que desiludiu
quando soube que te amava.

Perdoa este meu receio
que não me querias perdoar
e a estrada quase no passeio
que não queria incomodar..

Tatiana Albino

26 de dezembro de 2004


Saudade,filha do Tempo, prima da Vida e filha da Solidão...

Uma fotografia mostra-me um sorriso que me conta uma história, faz-me chorar, dá-me um aperto no coração, um vazio na alma...Dá-me saudade, talvez por saber que nunca mais vou viver aquele momento, não daquela maneira, não com tanta intensidade...
As fotografias servem para guardar os momentos que temos medo de esquecer. Porque há momentos que esquecemos, alguns por queremos, outros por traição de memória. E quando encontramos fotografias que traduzam esses momentos que pensamos esquecidos, sentimos como que um cubo de gelo escorregar pelo coração, descobrimos que afinal não estavam esquecidos, mas apenas escondidos no fundo da nossa alma. Que é quase a mesma coisa, por estarem escondidos, não os sentimos e por não os sentirmos julgamo-los esquecidos. E será que há esquecimento? Ou serão apenas momentos escondidos, adormecidos por momentos mais recentes? Se houvesse esquecimento não poderia haver saudade, não se sente saudade de algo esquecido. Paramos e olhamos para essas fotografias, com mais atenção que nunca, sorrimos e num arrepio fazemos com que o cubo de gelo derreta.
Saudade, algo que o tempo não apaga, pelo contrário, cria. Saudade, sim, filha do tempo, irmã da vida. Algo muito presente neste mundo cruel, pela crueldade dos homens. Tem de ser assim, o mundo ensina-nos a viver e não é só com alegrias que se aprende, também se aprende com a tristeza, as derrotas tornam-nos mais fortes, a saudade faz-nos continuar a caminhar.
Desistir de continuar é admitir que a saudade nos venceu, nos deitou abaixo, apagou o futuro e fez-nos viver para sempre num doce passado. A saudade estabelece um limite intransponível com correntes de lembranças, lembranças suaves e alegres. Ter saudade é recordar as coisas boas, não as más, porque dessas ninguém se lembra, ninguém se quer lembrar.
A saudade não morre sozinha num coração, leva consigo um pedaço de alma de cada um. Vai-nos matando aos poucos. Subtil e dolorosamente arranca-nos uma lágrima por cada sorriso do passado.
A saudade, essa amiga que levamos pela mão, trai-nos à primeira hipótese e remexe com tudo o que há em nós, tudo o que vivemos, tudo o que somos...Arranca-nos da realidade e faz-nos voar entre o sonho e a verdade.
Saudade, sim, filha do tempo, irmã da vida e prima da solidão. Quem morre em saudade, morre sozinho, morre na saudade de não sentir saudade, de não estar só.

Tatiana Albino
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