Subitamente paras. Sustens a respiração e tentas ouvir o silêncio, nada. Já não sabes o que te trouxe até aqui, mas sentes um enorme alívio na calma que te rodeia.12 de março de 2009
Desassossego
Subitamente paras. Sustens a respiração e tentas ouvir o silêncio, nada. Já não sabes o que te trouxe até aqui, mas sentes um enorme alívio na calma que te rodeia.20 de fevereiro de 2009
Um dia
Há um dia em que te apercebes que precisas de ir mais longe, saber que chegas lá.Mas o mundo nega-te a viagem e tu continuas a lutar contra os obstáculos que vêm na tua direcção, não te mexes. Esperas. Respiras Fundo. Escondes as lágrimas na garganta e negas a inércia que te move.
A leve sucessão dos dias impressiona-te e esmaga-te contra uma realidade que não queres aceitar, mas há um dia em que tentas. Esqueces as frustrações e recusas tudo o que em tempos te desiludiu, tentas e acreditas que vais conseguir. Esticas a mão e ficas surpreendido com o alcance do teu braço.
22 de janeiro de 2009
Longe
Hoje esperei por uma palavra tua. Sentei-me na calçada e chorei no teu silêncio. As minhas palavras pareciam incompletas antes das tuas e tu deixaste-me a metade. Sorriste ao longe, esperaste um sorriso meu. Falaste até, uma daquelas frases serenas e inocentes que nunca têm significado. Hoje o teu toque estava frio e o meu corpo gelou. O som da tua voz arrepiou-me a pele e o teu perfume não me soube encontrar. Estavas tão longe.
30 de dezembro de 2008
Clack!
- Porque é que fechaste a porta?
Um sorriso óbvio e saboroso:
- Porque vou abrir todas as janelas!
23 de novembro de 2008
De olhos fechados sente o vento frio na cara. O sol abandona-se suavemente ao fim do dia e pousa no horizonte. Os dias são uma sucessão de desejos e vontades, guerras e batalhas que nem sempre podemos vencer. E, nos intervalos da rotina, há pormenores que enchem as horas de cor e o peito de ar puro.6 de novembro de 2008
Desmoronamento
Um dia algo acontece. Não o prevíamos nem o queríamos, mas acontece. E tudo muda, para o bem e para o mal. Sem sabermos, encaixamos numa sequência que não foi projectada por nós e tudo parece estar fora de controlo. Desmoronam palavras, pedras, portas e paredes. Os alicerces, que um dia foram o nosso porto seguro, caíram inertes no chão.E aí, nesse lugar vazio do desmoronamento, forçamos os pulmões e respiramos fundo... continuamos.
Também aqui.
15 de outubro de 2008
Com a lua…
Era já noite de um dia qualquer. Era já noite de uma semana sem te ver.
A lua altiva e orgulhosa encheu-se de brilho e brio para me encantar. Deixou-me os olhos a brilhar, as mãos nervosas e os lábios trémulos. E sem me aperceber soube que estava apaixonada, pela sua forma suave, pela sua luz sumptuosa.
E agora diz-me, como podes tu ignorar a lua e quereres-me a mim. Como podes desconhecer o seu brilho que dá luz às noites: a todas as noites.
São pequenas infâmias as palavras que atiras em perguntas levianas sobre a lua. São amenas dores que me provocas, apertos no peito, agulhas na alma, quando dizes que não encontras a lua e que nem sequer a procuraste.
Revoltas-te, argumentas que não tens tempo, estás cansado. Mas será o cansaço maior do que o espaço que o teu pensamento guardou para mim?
E beijaste-me, precipitadamente, de forma descuidada. Distraído e preso a outras cordas, mais brilhantes do que os meus abraços. Apertaste-me e eu fugi. Corri para onde os teus dedos não me pudessem alcançar: nessa noite percebeste que tinhas de me dividir com a lua.
22 de setembro de 2008
Não molhes o silêncio.
dor que o meu silêncio provoca. Deixa-me ser este forte de pedra que não deixa entrar ameaças, que protege alguma coisa de pouca importância.11 de setembro de 2008
Cruzas os dedos com força enquanto mordes o lábio. Sei que desejas que tudo corra bem e também sei que tens medo que tudo corra mal. E tu sabes que eu acredito em ti. Ontem, quando te disse que ia estar sempre aqui para ti, não te menti. Mas quero que acredites em ti mesma. Quero lavar-te dessa insegurança que te faz tremer as mãos e a voz. Porque tu sabes que vou absorver cada lágrima que fizeres deslizar no teu rosto e vou beber da tua dor como se fosse minha.Agora dá-me a mão, o silêncio não chega para que percebas que estou aqui, que sou real. Nunca te deste bem com a ausência de voz, o vazio das palavras. Nunca gostaste que eu as guardasse só para mim. Sempre achaste que as palavras são como presentes, que não se guardam, oferecem-se. E tu sabes que eu guardo cada presente teu, escuto cada palavra desenhada pela tua voz, porque tenho medo do teu silêncio. Na tua boca o silêncio é tristeza, os momentos em que emudeces a voz são punhais cravados no meu coração. E as tuas feridas são minhas também, sangro os mesmos rasgões abertos pelas lâminas que escondes.
Anda cá, deixa-me sussurrar-te ao ouvido. "Vai correr tudo bem. Eu estou aqui."
21 de agosto de 2008
E mesmo assim o dia prosseguiu, altivo, sem esperar por ninguém, com a solidez de quem repete os mesmos passos mais vezes do que queria. As horas foram arrastadas, contrariadas num saltitar sereno e audaz. E numa orquestração coordenada, a semana foi desenrolando as suas notas sem parar.
Os sorrisos habituais, as palavras necessárias ao silêncio, todos os elementos foram assumindo o seu lugar sem perguntar porquê. E no fim de cada dança, com os acordes mais calmos, o sol pousa a cabeça no mar e o corpo no horizonte e adormece. Sem saber que a lua chega para lhe velar o sono.
21 de julho de 2008
Sorri enquanto observa dois cães a perseguirem-se pela rua. O suave balanço das horas não a incomoda, o lento girar da terra não a distrai. O mundo dela é perfeito, pleno de sol, bolos, animais e canções. A felicidade que transborda do seu sorriso é quase tangível.
Na sua inocência imaculada não sabe que um dia vai olhar para trás e ver que o tempo passa quando estamos desatentos. Que a vida se desfaz em gargalhadas e abraços, em lágrimas e palavras. Que os dias são nossos com a certeza do seu fim.
2 de julho de 2008
O silêncio arranja forma de transmitir o que queremos esconder. Resgata tudo o que não sabemos como falar ou escrever, salva as palavras que insistimos em esquecer. E em serena aquietação esperamos que ninguém perceba o que enfeitamos em sorrisos para não nos desfazermos de nós.E dos olhares fugidios fica tanto por dizer, segredos que em surdina não soubemos como guardar. O compasso do coração é a batida da alma, que expõe o que não conseguimos verbalizar. O novelo de pensamentos é o desenho de quem aprendeu a guardar as palavras e agora não sabe como usá-las.
Vamos preenchendo os dias numa cortina opaca, cor de pastel. Numa angústia omnipresente que nos ata os tornozelos e os pulsos a uma árvore seca e morta, vamos esperando que o vento nos solte, que o sol corroa as cordas e nos devolva a liberdade. Mas enquanto houver lábios a morder as palavras por medo, não haverá espaço para voar.
18 de junho de 2008
Hoje quero reescrever todas as palavras. Reaprender todas as letras e voltar a espalhá-las no chão da minha mente. Esquecer todas as frases e refazer todos os parágrafos, como se fosse a primeira vez.Hoje quero misturar os significados e esconder os sinónimos. Escolher cinco palavras e virá-las do avesso, pegar em mais três e mudar-lhes os acentos. Quero brincar, usar o que escrevi e o que pensei...esquecer o que nunca quis escrever e deixá-lo escorrer-me pelos dedos até ao papel. Sem que eu me aperceba.
Porque às vezes não sou eu que mando nas palavras, são elas que me conduzem por labirintos inexplorados e me deixam esquecida no silêncio do que sinto. E elas vêm assim, em catadupa, cheias de significado e jogos maliciosos na sua conjugação. Eu deixo-me levar sem sussurrar um queixume que seja, é rodeada de palavras que sou feliz.
Mas hoje quero desconstruir tudo que elas me trazem, refazer todos os textos e esconder todas as frases que me mostram como sou. Porque nem sempre sei como falar de mim, porque nem sempre sei procurar as palavras certas.
27 de maio de 2008
Piano
. As teclas gemiam e rasgavam a noite, sustinham a correria da cidade por um instante. Tudo parecia silencioso, as estrelas bebiam sedentas daquela alma desfeita em notas musicais e ela permanecia imóvel, de olhos fechados e o coração escancarado. A melodia dançava no vento, preenchia o ar como um aroma agradável que não se quer esquecer.
Sentiu uma gota fria cair-lhe no joelho, mas não se inquietou. Muitas outras caíram sobre o fim do dia e ela não foi capaz de ser levantar, não enquanto aquele piano tocasse. As notas eram carícias, como doces palavras que se dizem em noites de luar e a noite chegava, embalada pelos acordes certeiros e sofridos.
Quem estaria a tocar? Não sabia, mas tinha a certeza de que permaneceria ali até o silêncio chegar. Imaginou serenamente as mãos de alguém a dançarem nas teclas neutras de um piano de cauda, o coração acelerado de quem tocava ao ver que o piano traduzia sentimentos...quase foi capaz de sentir a sua respiração ritmar a harmonia da música.
E o piano cessou, passados segundos, minutos, horas...talvez dias. E ela sentia a pele gelada e molhada, mas a alma quente e sossegada.
16 de maio de 2008
E as memórias abrigam os momentos marcantes,:tristes ou alegres, aflitivos ou descontraídos. Cada segundo foi parte de uma vida que partilhámos, uma vida que partilharemos para sempre por muito afastadas que estejam as nossas mãos.
E agora...carregamos nos ombros as certezas do que aprendemos, as dúvidas do que virá. E com a voz embargada e a garganta apertada mostramos com orgulho os sentimentos, as pessoas que nos mudaram, que nos fizeram crescer. O tempo escorre-nos pelos dedos a cada pôr-do-sol desta cidade, a cada meia-noite cantada em serenata sabemos não poder voltar atrás. Angustia-se o coração e os pulmões encolhem-se no peito. Capas negras de saudade, dizem. S-a-u-d-a-d-e. Sim, capas que nos aquecem os ombros e disfarçam as lágrimas que caem. Capas que são portas para outras vidas, outras emoções. Capas que nos protegem e resguardam nas frias noites em que nos faltam partes da alma.
Estendo a minha capa a vocês, à partilha de sorrisos, às mãos dadas no meio do choro, aos abraços apertados e às palavras especiais...a Lisboa, uma cidade que soube amar por vocês, com vocês. Tudo isto aprendi convosco...tudo isto é muito mais do que eu posso dizer. Muito mais do que poderei agradecer, por isso deixo que os meus olhos o façam por mim.
Vou sentir falta de tudo: das gargalhadas nos corredores, das conversas longas nas escadas, do jogo da forca, das parvoíces, das tardes nos bancos de madeira, das tardes na Gulbenkian, dos passeios, das brincadeiras, dos risos de todos e de cada um. Mas acima de tudo dos vossos sorrisos à minha volta....
29 de abril de 2008
Mão na mão
Todos temos horas de felicidade, alegria, satisfação e euforia. Mas há fins de dia que trazem o cansaço, a descrença e a desilusão. É nestes altos e baixos que construímos aquilo que somos, é nos caminhos sinuosos que aprendemos a andar.
Nos primeiros passos temos ajuda, apertamos uma mão segura que caminha ao nosso lado, quando temos confiança na estrada soltamos os dedos e saboreamos o vento...mas quando o sol se põe sentimos falta de uma mão quente que encaixe na nossa e nos acalma as dúvidas.
18 de abril de 2008
Ontem sonhaste com ele e não comigo.
Foi na mão dele que repousaste os teus sonhos e frustrações. Foi nos braços dele que adormeceste serena, sem esperar o amanhecer. Sonhaste com abraços e discussões, uma vida inventada pelo teu inconsciente inseguro. Mas foi nos olhos dele que te perdeste mais uma vez...não nos meus.Ontem esperei por ti naquele lugar onde se espera pelos sonhos, adiei o sono na pressa de te encontrar. Tu não vieste. E o meu sonhar vagueou solitário na escuridão do teu silêncio. Não soube encontrar a tua mão, o teu sorriso...Fugiste-me.
Roubaste o meu tempo e correste para longe, escapaste da minha visão. E ontem não sonhaste comigo. Eu deixei a minha mente esquecida em ti, perdida pela noite. Fiquei sozinho - à tua espera. Mas ontem...ontem não foste minha. Sonhaste com ele, não comigo.
7 de abril de 2008
chega para a acalmar. Há algo que falta, uma peça que já não sabe como se encaixar.Cruza os braços por cima dos joelhos e fecha os olhos, sente o frio a corroer-lhe os ossos mas não é capaz de se levantar. Por entre os passos de alguém que a acompanhou perdeu o ritmo do seu andar, e agora já nem sabe por onde começar. Num suspiro obriga o corpo a erguer-se, sustém o peso nos pés com a leveza de quem nunca parou para pensar.
A chuva cai intensa nos seus ombros e ao caminhar sente o seu coração desconcertado. Espalhado pelo chão em peças pequenas que têm que reaprender a estar juntas, como um puzzle. Desfeito, esquecido nalgum tapete que ninguém pisa.
A visão turva-se e ela já não sabe se é a chuva ou se são fracções do seu próprio sal. Mas ao andar a alma não lhe pesa nos tornozelos, as mãos balançam como se não carregassem a vida de mais alguém. Ali, debaixo da chuva, as gotas são refúgio, o mar é porto de abrigo.
28 de março de 2008
Sol e Lua
Agora que o sol nasce pede à lua para esquecer o que viu. Conta-lhe que um coração que abraça os sorrisos efémeros sofre mais no fim, explica-lhe que os dedos entrelaçados não duram para sempre e que há muitas razões para esquecer.Chama a lua e diz-lhe tudo o que nunca conseguiste falar comigo. Despeja as mágoas, as incertezas...mostra-lhe as tuas dores, as fraquezas. Espera um sorriso e um banho de calma, sonhos de fúria que no final te serenam a alma.
Pede ao sol uns minutos de descanso, empurra o dia para longe de ti e limpa as feridas que tens por dentro com o sal que chorares.
Não deixes que o peso dos dias se abata sobre ti...conserva a calmaria do anoitecer e a lucidez do amanhecer. Porque enquanto a lua te puder perdoar o sol nunca te julgará.
12 de março de 2008
Não me apertes os pulsos
O teu silêncio aperta-me os pulsos. Não sei ser, sozinha, aquilo que me ensinaste a ser contigo. E esta espera põe-me o coração em desassossego. Sem querer, espero por uma palavra tua, algo que me diga que não esqueceste os meus lábios. Não sei como te expulsar do pensamento…não quero esquecer-te, mas não quero lembrar-me de ti. Quero saber arrumar-te, esconder-te no fundo de uma caixa de cartão poeirenta. Encostar-te a um canto escuro e esperar que um dia eu tropece na caixa cheia de coisas indefiníveis e veja o teu sorriso. Talvez nesse dia possa ser eu a dizer-te que não esqueci o teu toque. Por agora vou empurrar-te para o lugar mais recôndito da minha mente. Onde seja difícil encontrar-te nos minutos vazios do dia-a-dia. Porque não gosto que me apertem os pulsos.
28 de fevereiro de 2008
Silêncio
Silêncio, um lugar. Um sorriso, uma mão aconchegada entre outros dedos...um olhar. A certeza de uma calma quase palpável,
a esperança de um novo começo.Silêncio, um choro calado, um coração em sossegado palpitar, uma mão estendida e o calor de um abraço. Silêncio, o cansaço das palavras, o irreversível desgaste das frases incompletas...
19 de fevereiro de 2008
Voam
Os olhos cravados nas mãos vazias dele:- Já alguma vez seguraste um pássaro nas mãos?
Uma expressão de surpresa, um movimento brusco e ele respondeu:
- Ãhn? Acho que não..não..porquê?
- Nada...não a queres perder pois não?
O olhar dele mergulhou em lembranças que não partilhava. A voz calmamente aflita:
- É a última coisa que quero.
Ela engole em seco. Nunca pensou que pudesse custar tanto ouvir aquilo.
- Então...tens que a segurar como segurarias um passarinho. Não podes apertar demais porque vais magoá-lo e ele vai querer fugir, mas também não podes ter as mãos totalmente abertas porque ele vai querer voar para longe. Não porque não gosta de ti, mas porque é o que os passarinhos fazem. Eles voam.
Ele observa-a concentrado e com um visível esforço para absorver cada palavra que tinha acabado de ouvir.
- Então estás a dizer que ela é o meu pássaro?
Um sorriso triste:
- Sim, tens que lhe mostrar que gostas dela, mas não podes exigir todo o tempo do mundo só para ti. Tens que lhe dar espaço para que ela perceba que precisa de ti.
Ele suspirou profundamente.
- Vocês são complicadas...
Ela sorriu. Pensou que às vezes a vida é mais simples do que parece, nós é que insistimos em complicar. Que a vida é curta e que nós é que decidimos se a queremos simples ou complexa.
8 de fevereiro de 2008
Inacabado
Inacabado sim, quando a tua mão se desvia subtilmente da minha e os teus olhos já não sabem quem sou. Incompleto porque me falta o calor da tua pele.Sou assim desde que fugiste do meu olhar, um sonho desfeito que alguém esqueceu enquanto acordava. Culpo-te. Foste tu que me tornaste nisto, este misto de pedaços de alma que caem a teus pés. Esta miscelânea de vidros estilhaçados na estrada que fizemos de mãos unidas.
Depois de ter sido o fogo do tempo nas horas em que te amei obrigaste-me a ser o gelo solitário que agora te chora. Não sei se te ocupa a mente este meu lamento silencioso, mas sei que te pertuba a solidão em que te envolveste, nunca gostaste de estar sozinha. E agora que soubeste como vencer o medo e me abandonaste não sei como te pensar, deixei de aprender a viver.
Foste tu. Ensinaste-me a ser arco-íris nas nuvens e agora, sem o teu sorriso, vejo-me numa fotografia corroída pela memória a quem roubaste a cor. Sou assim, o guarda-chuva partido que se esforça por te proteger do frio no meio de uma tempestade.
Inacabado, porque me faltas tu, porque a culpa que despejo em ti não me limpa a dor.
19 de janeiro de 2008
Ele continua
porfia em entristecer as ruas. E as estrelas escondem-se diminutas atrás de nuvens escuras. Ele segue em passos firmes sem direcção, alheio, absorto, perdido.As horas já não lhe pertencem, tudo o que colheu do sol desfez-se em risos cansados e os ombros descaíram com o peso do tempo. Há dias que lhe parecem mais fáceis, passam devagarinho, silenciosos, e terminam a chorar em surdina numa qualquer calçada. Hoje tudo passou assim, uma leve brisa fria que revolveu as folhas secas no chão. Um sopro fraco de calor que lhe amotinou os pensamentos na mente. E, sem querer parar, caminha disperso em tudo o que o trouxe até ali, àquele momento em que a mente de tão vazia lhe dói e o coração quase pára de bater.
27 de dezembro de 2007
A manhã
A manhã nem sempre sabe como começar. Porque há dias em que o sol se esconde por entre nuvens e árvores para não perceber a tristeza do mundo.E as horas levam-nos por entre as palavras que dizemos e aquelas que nos obrigam a ouvir. O tempo passa sem querer, sem saber onde parar. Os dias transformam-se numa sala de espera quente e iluminada, começam do avesso do fim porque não sabem como começar. E neste lugar, aconchegado por entre os minutos da correria quotidiana, podemos esticar as pernas e encostar a cabeça…e esperar. Simplesmente esperar. Os meses correm, esquecidos nos dias iguais, como as águas límpidas das cascatas. E aquela espera serena prende-nos a qualquer momento que não devia ter acabado. Esperamos sempre…por alguém, por alguma coisa…e nessa espera somos capazes de perceber que na verdade esperamos por nós, desde que nos perdemos nas memórias até que alguma coisa nos traga de volta aos minutos que apertamos nos dedos. E nas manhãs em que o dia adia tímido o seu início afastamos o sono do corpo na esperança de haver sorrisos à nossa espera. Esperamos sempre…nem que seja para ver o dia nascer.
3 de dezembro de 2007
Saudade
Um caminho que se faz lado a lado, ombro a ombro, sem esperar pelas oportunidades, a agarrar cada brisa e a respirar cada palavra como se fossem nossas. Porque agora que a noite acaba a beijar o dia, os olhos mostram o vazio que fica quando a alma se prende a um lugar. Depois dos dias acesos de alegria ficam as horas arrastadas e frias, o tempo fugiu e agora demora-se na saudade de outras músicas. E encostados à sua própria força de viver, assustados pelo frio que um coração oco promete, rezam em surdina não deixar morrer o sentimento que os une. Cantam baixinho para acalmar o corpo dormente e procuram um canto escuro na sua mente para esconderem as feridas de ver partir os anos.
Sem saberem têm a
certeza de ouvir partir sentimentos, de ouvir estalar gargalhadas suspensas num plano longínquo e sentem pena. Mais que pena, dor. O levantar voo do rouxinol pequeno e amedrontado que leva todas as lamúrias de quem esquece o que vive. Porque podemos fugir das lembranças que nos fazem chorar. Mas o coração, esse, guarda a saudade.
19 de novembro de 2007
Respirar a noite
Às vezes é preciso ir ver as estrelas, respirar a noite. Sentir que nem tudo é aquilo que não queremos...olhar em frente e ter a certeza de que sabemos dirigir os passos que dermos no escuro.As mãos geladas levam o medo, as pernas trémulas a angústia de não saber...E o vazio espraia-se na pele de quem caminha sem vontade, como o ar pesado nas noites em que nos deitamos com o nó na garganta de quem não disse tudo o que tinha a dizer.
A certeza de que o amanhã será só mais um pôr-do-sol, só mais um arco-íris passageiro, uma corda de água que deixa a vida cinzenta. Porque às vezes é assim, temos que dar a pele à chuva e sentir o frio lavar-nos de tudo o que nos faz chorar. E ficar de olhar fixo num ponto longínquo, esperar pelas palavras que nem sempre vêm. Permanecer naquele esquecimento precoce e sonhar com tudo o que desejamos em segredo.
Às vezes é preciso inspirar profundamente, aprender a querer um novo dia. É preciso saber respirar a noite para podermos acordar no dia seguinte e sermos capazes de sorrir.
7 de novembro de 2007
Sentada no balouço do sol fita os dedos envoltos na corda que segura.Deixa a mente divagar, sente-se sorrir com certas lembranças e entristece-se com outras. A confusão não é total e sem se aperceber vai desfazendo os nós do seu pensamento com a paciência de quem doba um novelo de lã.
Hoje é um daqueles dias em que o peso ao fundo das costas é só o prenúncio de uma noite mal dormida. Hoje, ela sente aquela estranheza subtil situada entre o cansaço e o sonho. Sabe que vai acabar por passar...na verdade há poucas coisas que não são efémeras.
E enquanto segue o balanço do seu corpo, sente o ritmo do seu coração em competição com a sua mente. Estica as pernas e força as pontas do pés a tocar o chão. Lentamente e, ao desenhar dois sulcos paralelos no chão, sente-se parar. Fecha os olhos e deixa cair a cabeça para trás, o cabelo desliza-lhe dos ombros para as costas. Permanece assim até sentir coragem para voltar a abrir os olhos.
Esvazia a mente e recomeça o seu balanço suave e, com uma respiração mais profunda, diz com voz serena ao sol que a acalenta:
- Às vezes é preciso parar para recomeçar.
30 de outubro de 2007
Lembra-te de conservar a certeza de que alguém sabe de ti o que tens medo de mostrar, não gastes a energia que te resta a torturar as pestanas de cada vez que as barreiras que foste construindo para protecção desmoronarem.
Não deixes que o frio se instale nos ossos enquanto procuras uma posição confortável, não olhes para o vazio como se fosses tu.
E quando não souberes o que fazer, aperta a minha mão e fecha os olhos. Serei a tua força quando a fraqueza te atacar. Mesmo nas noites escuras e sós, quando sentires que nada mais vale a pena pensa que existe alguém com a mesma saudade.
Porque no fundo todos nós queremos sentir que alguém virá para nos dar a mão...esperamos sempre por alguém que nos possa abraçar e beber das nossas lágrimas para que sequem. Mas há esperas vãs e aprendemos a lamber as feridas e a continuar a sorrir.
14 de outubro de 2007
Um suspiro. O ar apertado contra os ossos. Aquele sentimento de perda que tem quem não encontra o que quer. Uma confusão de pensamentos, uma amálgama de sentimentos. A combinação que desperta a inércia e que impede decisões sensatas.O quarto está escuro, atravessado por um ténue raio de luar. Há um corpo cansado estendido na cama desfeita. O coração bate-lhe no peito como um comboio, escurecido pelo pó, que se arrasta numa marcha lenta e compassada. Os pulmões funcionam em pleno mas esforçam-se por oxigenar os pés gelados e brancos. E esse alguém estendido no colchão sabe que o mal-estar físico é consequência da dor psicológica que lhe destrói implacavelmente os pensamentos. Esse alguém alimentou-se das palavras que ouviu, que se entranharam na pele e foram enfraquecendo a alma de quem as acolheu como o bicho da madeira destrói os móveis, por dentro.
20 de setembro de 2007
Cais da Ternura
No Cais da Ternura a brisa é constante, há quem se sente e não se importe com o frio a morder-lhe os pés. Os sorrisos surgem, brilham e acabam por esmorecer. Os barcos da saudade vão e vêm, nunca ficam muito tempo porque não querem agarrar-se aos ossos de quem permanece esquecido pela emoção. E neste cais há tempo para carícias em cabelos caídos nos ombros fustigados pelo sol, há tempo para toques seguros nas costas, entrelaçar de dedos e acenos de adeus. Há espaço para abraços, lágrimas nos limites da alma e olhares trocados em silêncio. A tristeza apodera-se de quem vê partir e de quem parte, a ternura vai, vem, fica. É constante como o bater ritmado de um coração saudável. É um ciclo vivaz de cores, sabores, sons e angústias. Sentimentos que nascem sem que sejam cultivados, como ervas daninhas que nos corroem o pensamento. A ternura que todos temos debaixo da pele, feita para envolver aqueles que mais perto chegam do nosso coração, alimenta-se do nosso calor e às vezes faz-nos chorar...
3 de setembro de 2007
Simples
De pés cruzados e joelhos afastados, sentada no chão poeirento, brinca com um galho seco de uma videira. Sente o sol quente nos braços frágeis e rechonchudos, ouve com atenção todos os ruídos do campo num fim de tarde estival. Delicia-se com o vento macio que lhe beija a pele descoberta como uma carícia. É criança, sabe que o mundo todo lhe cabe numa mão e que todos os animais sabem cantar. E de repente levanta-se, sacode o pó dos calções curtos de algodão e corre em direcção a uma pequena nascente emoldurada de verde vivo. A água é límpida, o elixir da vida, o líquido que tem o segredo da alegria eterna. E para esta criança o sabor daquela água é melhor que um chupa-chupa de morango ou um gelado de caramelo. Sente-se mais feliz ao esticar os seus pequeninos dedos à água fresca e saboreá-la nos lábios quentes e na língua sedenta pelo calor. Volta a sentar-se no chão desta vez para observar de perto um formigueiro em fase de construção: vê com atenção e repara que as formigas tiram a terra em bolinhas e deixam-na à volta da entrada, pensa que é isso que a mãe faz quando está a limpar a casa, põe o que não quer cá fora. É tudo tão simples. 7 de agosto de 2007
As palavras são como os frutos nas árvores.

Por enquanto vou mordiscando as minhas palavras como quem trinca um fruto verde num acto de rebeldia. Ainda não tenho a paciência necessária para esperar que a fruta no pomar da minha imaginação fique doce e toda a gente a possa saborear.
Sou impaciente, mas é esse sabor agridoce do impulso que me faz ter forças para sorrir despreocupada. É o sentir o sumo fresco nos meus lábios que mata a sede de viver. Sei que um dia vou deixar de gostar da fruta rija e ainda verde, sei que vou passar a fazer o que for preciso para colher os frutos apenas quando estiverem maduros. Mas não me aflige porque quando isto acontecer vou lembrar-me do travo agreste da fruta verde e só isso vai permitir que volte a procurar a força que me faz agora puxar os frutos da árvore antes do tempo, só isso vai permitir-me seguir caminho sem perder quem sou.
16 de julho de 2007
As Cores
As cores são todas especiais e são ricas, plenas de vitalidade para quem as olha com atenção. A água absorve as cores que a tocam, a ausência de luz fá-las adormecer e por momentos ficarem afastadas do nosso olhar...mas nunca longe do nosso imaginário. Eu gosto tanto das cores...de todas elas, não tenho uma cor favorita. De uma maneira ou de outra todas me fazem sorrir.
2 de julho de 2007
10 de junho de 2007
Coração vs Mente
parece tão fácil quando há tantas vozes que lhe dizem o que fazer, o que ser. De cada vez que ele tenta dar um passo a incerteza limita-lhe os movimentos. Sente-se longe, tão longe de tudo e de todos…adormecido num canto da sua vida sem querer acordar. A vida passa sem lhe tocar, os sorrisos, os gritos à sua volta não lhe pertencem. Todos os momentos que toca tornam-se estáticos, param no tempo.Não tem expressão. Os fragmentos de si estão espalhados nos dias, nas horas que passa sozinho numa introspecção lancinante que lhe esfaqueia o coração pela inércia das palavras. Não diz o que verdadeiramente sente…mas a maioria das pessoas não o faz.
Encosta-se ao banco e não se sente confortável, tem a sensação de que mesmo se estivesse estendido na cama não seria capaz de descansar. O seu corpo é-lhe estranho e a sua alma não lhe responde. E ele vai passeando pelos dias até que o seu coração vença a luta que decidiu travar com a sua mente.
....Acho que é desta que volto aos posts com textos... =) fase pós-Segredos Aos Pedaços em livro!
4 de junho de 2007
24 de maio de 2007
Apresentação do Livro em Trancoso
Apresentação do Livro "Segredos aos Pedaços" de Tatiana Albino
02 de Junho - 15h30 - Hotel de Turismo de Trancoso
Para mais conhecimento, clika aqui.
9 de maio de 2007
Segredos aos Pedaços já à venda!
Bem mas agora posso dar-vos mais alguma informação!!!

Poderão encontrar o livro em qualquer uma destas livrarias:
Se tiverem algum problema avisem para eu poder contactar a editora e ela falar com a respectiva livraria....
E vá lá eu sei que as semanas académicas dão um valente desfalque nas contas da juventude...ms pode ser que sobrem uns 7, 50 euros para o gosto da leitura =P
30 de abril de 2007
Lágrimas...
Porque travas as lágrimas antes delas caírem? Deixa-as deslizar na tua pele e tombarem nas minhas mãos.Encostas a tua cabeça no meu ombro e a água quente escorre pelo teu narizinho de princesa até pingar nas minhas calças, levantas-te e rapidamente pedes desculpa.
- Não peças desculpa, tomara eu ficar com as calças ensopadas de cada vez que precisas chorar!
Causei em ti um sorriso leve. Já tinhas os olhos vermelhos de tanto sal fazeres brotar de lá. Tremias. Partia-me o coração ver-te a soluçar, sentia a dor em cada uma das tuas lágrimas e a revolta no olhar. Os teus lábios inchados e quentes que mordias nervosamente e os teus dedos que seguravam instintivamente um lenço de papel húmido e salgado. Custava-me tanto ver-te assim.
Suspiras cansada e aconchego-te um pouco mais nos meus braços. Sim, eu sei que precisas de um abraço. Seguras-te ao meu pescoço e sem caíres do sofá consegues aninhar-te no meu colo. Acaricio o teu cabelo e os teus soluços de choro vão acalmando até que adormeces. Exausta de tanto sofrimento.
19 de abril de 2007
Thinking Blogger Award

É verdade, o meu blog recebeu o Thinking Blogger Award do blog Avesso dos ponteiros e resta-me agradecer! ^.^
E é a minha vez de premiar 5 blogs que me fazem pensar...
Enjoy Neverland
A Nona Onda
Tudo & Nada
Como se Leva uma Estrela para o Céu?
Letras Soltas
A todos os outros que não constam na lista quero que saibam que só não estão na lista porque ela era demasiado curta...todos os blogs que visito e que leio pelo menos um post inteiro fazem-me pensar de alguma forma. =)
Agora os escolhidos têm que colocar a imagem na barra no lado direito do blog e fazerem uma lista também! (:
6 de abril de 2007
Uma noite académica...
Tu és o sol que há p’ra mim, tu és o amor que eu conheci…
Rostos cansados mas felizes, vozes gastas mas afinadas… as mãos unidas. Há magia no ar!
Rosa vermelha do meu jardim, que vale viver a vida sem ti…
Horas passadas com a certeza de que o tempo não volta atrás e que as memórias são o porto de abrigo da felicidade.
E não esqueças nem um segundo, eu tenho o amor maior do mundo. Coisas tão lindas para te dar, sempre a cantar!
O tempo passa, o sol já brilha alto no céu e relembra-nos de que tudo chega ao fim.
Deixa-me os teus olhos agora que partes, o calor da tua mão. Deixa-me ser só uma saudade no teu coração…
Momentos mágicos que carregamos nos pés cansados até casa.
E quando olhares as águas do rio, lembra-te de mim, és a andorinha de uma primavera que chegou ao fim…
Fica a certeza de que momentos assim não se repetem…e não se esquecem.
2 de abril de 2007
Apresentação do livro
19 de março de 2007
Lançamento do Livro
11 de março de 2007
Há dias em que não sei quem sou, dias em que não reconheço quem me olha com sereno espanto no espelho. Mas nesses dias também sei que quem-não-sei-dizer-que-existe pode ser quem eu quiser. E eu posso permanecer esquecida numa almofada de sofá sem que a vida me incomode.A capacidade de sonhar é infinita, bem o sei. Mas e quando a mente está cansada de montar e desmontar acasos para nós e o coração se estreita mais um pouco de cada vez que a alma é fraca demais para realizar os sonhos? Mesmo quando não sei quem sou sinto quebrar-se qualquer coisa cá dentro quando a vida me faz tropeçar e cair, mesmo quando não sou eu que sonho sinto a alma cobrir-se de negro à certeza da impossibilidade dos acasos. E quando há dor na incapacidade de me reconhecer a vida sussurra-me ao ouvido que me perdi. Eu respondo calmamente que não posso estar perdida porque nunca senti o contrário.
Sei porque é que não me reconheço. De cada vez que aquilo que construo cai ao chão e se estilhaça em mil pedaços perco um pouco de mim, desaparece um pedacinho de quem sou. Quando passo horas a tentar reconstruir tudo outra vez, quando fico com os dedos dormentes e gelados por estar a colar todas as peças e no fim elas voltam a desmoronar-se aos meus pés. Quando sinto que já não há nada a fazer. Sei que não me reconheço porque há um bocadinho de mim que fica esquecido no meio das peças quebradas.
2 de março de 2007
Mas porque é que fizeste tanta questão em ficar espelhado na janela da minha alma? Eu até te podia ter disponibilizado um espelho bonito, com os berloques do destino à volta, em que a tua figura ficasse nítida e segura.3 de fevereiro de 2007
Fim do dia
As sombras dançam à minha frente, brincam atrevidas com a pouca luz no quarto. E o pensamento voa, navega sem asas num espaço interminável a que tu já deixaste de pertencer. As palavras misturam-se e entrelaçam-se à procura dum significado que não existe. A música embala a respiração profunda duma alma sem retorno.O fim do dia pesa como uma manhã de segunda-feira, a vida passa num queixume ligeiro como um choro de uma criança mimada. Os gestos não acompanham a mente, o corpo estende-se numa levitação morna, inconsciente.
E há aquela sensação estranha na ponta dos dedos...aquela que faz tremer os lábios e pulsar o sangue nas veias numa inquietação tranquila, um sentimento que não se explica, que nem sequer tem nome. Porque há tantos dias assim, em que precisamos de nos sentir deitados numa nuvem para podermos descansar.Dias em que até o movimento dos pulmões nos dói de tão esquartejado termos o coração.
9 de janeiro de 2007
Gostar de ti foi como rebolar por uma encosta de silvas, houve tanta coisa que me fez sangrar. Mas como as silvas têm as amoras tão doces, tão apetecíveis...Eu não me importava de continuar a picar-me para colher esse teu sorriso que reflecte o luar e provar do doce brilho dos teus olhos.Sabes, quando era mais novo corria pelo campo sem me preocupar com os arranhões que surgiam inesperadamente nas minhas pernas ao final do dia...Agora também não vou desistir das amoras só porque as silvas me ferem a pele com gosto. Isso seria como esquecer a beleza de uma rosa só por que ela tem espinhos.
Mas estou cansado de curar os ferimentos ao fim de cada dia e voltar ao mesmo no dia seguinte. Se ao menos eu não gostasse tanto de amoras...



