Uma gota de sal no rio, uma mão trémula que agarra um lenço branco e encharcado.
O calor de ombros encostados permanece num momento inevitavelmente efémero. A certeza daquela angústia póstuma no peito, a vontade de nunca parar e o querer guardar cada minuto.
E por cada lágrima que o Tejo acolhe, por cada salto a pisar a calçada gasta há um sorriso e um abraço, há silêncios e risos ensurdecedores.
Um caminho que se faz lado a lado, ombro a ombro, sem esperar pelas oportunidades, a agarrar cada brisa e a respirar cada palavra como se fossem nossas.
Porque agora que a noite acaba a beijar o dia, os olhos mostram o vazio que fica quando a alma se prende a um lugar. Depois dos dias acesos de alegria ficam as horas arrastadas e frias, o tempo fugiu e agora demora-se na saudade de outras músicas. E encostados à sua própria força de viver, assustados pelo frio que um coração oco promete, rezam em surdina não deixar morrer o sentimento que os une.
Cantam baixinho para acalmar o corpo dormente e procuram um canto escuro na sua mente para esconderem as feridas de ver partir os anos.Sem saberem têm a

certeza de ouvir partir sentimentos, de ouvir estalar gargalhadas suspensas num plano longínquo e sentem pena. Mais que pena, dor. O levantar voo do rouxinol pequeno e amedrontado que leva todas as lamúrias de quem esquece o que vive. Porque podemos fugir das lembranças que nos fazem chorar.
Mas o coração, esse, guarda a saudade.