26 de dezembro de 2004


Saudade,filha do Tempo, prima da Vida e filha da Solidão...

Uma fotografia mostra-me um sorriso que me conta uma história, faz-me chorar, dá-me um aperto no coração, um vazio na alma...Dá-me saudade, talvez por saber que nunca mais vou viver aquele momento, não daquela maneira, não com tanta intensidade...
As fotografias servem para guardar os momentos que temos medo de esquecer. Porque há momentos que esquecemos, alguns por queremos, outros por traição de memória. E quando encontramos fotografias que traduzam esses momentos que pensamos esquecidos, sentimos como que um cubo de gelo escorregar pelo coração, descobrimos que afinal não estavam esquecidos, mas apenas escondidos no fundo da nossa alma. Que é quase a mesma coisa, por estarem escondidos, não os sentimos e por não os sentirmos julgamo-los esquecidos. E será que há esquecimento? Ou serão apenas momentos escondidos, adormecidos por momentos mais recentes? Se houvesse esquecimento não poderia haver saudade, não se sente saudade de algo esquecido. Paramos e olhamos para essas fotografias, com mais atenção que nunca, sorrimos e num arrepio fazemos com que o cubo de gelo derreta.
Saudade, algo que o tempo não apaga, pelo contrário, cria. Saudade, sim, filha do tempo, irmã da vida. Algo muito presente neste mundo cruel, pela crueldade dos homens. Tem de ser assim, o mundo ensina-nos a viver e não é só com alegrias que se aprende, também se aprende com a tristeza, as derrotas tornam-nos mais fortes, a saudade faz-nos continuar a caminhar.
Desistir de continuar é admitir que a saudade nos venceu, nos deitou abaixo, apagou o futuro e fez-nos viver para sempre num doce passado. A saudade estabelece um limite intransponível com correntes de lembranças, lembranças suaves e alegres. Ter saudade é recordar as coisas boas, não as más, porque dessas ninguém se lembra, ninguém se quer lembrar.
A saudade não morre sozinha num coração, leva consigo um pedaço de alma de cada um. Vai-nos matando aos poucos. Subtil e dolorosamente arranca-nos uma lágrima por cada sorriso do passado.
A saudade, essa amiga que levamos pela mão, trai-nos à primeira hipótese e remexe com tudo o que há em nós, tudo o que vivemos, tudo o que somos...Arranca-nos da realidade e faz-nos voar entre o sonho e a verdade.
Saudade, sim, filha do tempo, irmã da vida e prima da solidão. Quem morre em saudade, morre sozinho, morre na saudade de não sentir saudade, de não estar só.

Tatiana Albino
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2 comentários:

«Karllus» disse...

Saudade...
sentimento incómodo...
misto de vida e dor.

...vontade de sentir saudade?

Sim...
ainda que a saudade nos faça sentir entiados dos nossos proprios dias...
ainda que primos de uma solidão consentida... e filhos de um tempo que vivemos mas que queremos recordar.

(Taty, desculpa ter feito aqui o último comentário, mas tenho vindo a ler de cima para baixo)

Bjs

Anónimo disse...

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