13 de abril de 2009

Novelo

O fio fugiu-lhe da mão, entre os dedos ficaram as fibras soltas de um novelo colorido. Em cada cor, um sonho, em cada centímetro, uma esperança inocente. Os dias foram passando e nas mãos havia a segurança de um caminho planeado, na mente as expectativas ingénuas de quem desconhece a natureza do que vê e, nos olhos, a vontade de seguir em frente. Não percebe porque tem os dedos frios, as mãos abertas e vazias, o corpo cansado e os olhos cheios de água. Não percebe o que aconteceu porque não o tinha planeado, não entende como é que o fio se escapou por entre os dedos. Não aceita que o fio fugiu porque o novelo chegou ao fim...

3 comentários:

Daemon disse...

feliz ou infelizmente, todos os novelos tem um fim. Muitas vezes nós é que não nos damos ou não queremos dar conta disso ;)
já sentia falta de um segredinho, mas o trabalho 1º, sei bem o que é isso.

Otodectes cynotis disse...

Sabe bem saber que continuas a escrever

Rebeca disse...

Pois, é bom ler-te de novo, a psicoterapia pela escrita faz-nos (te) bem.
Já contaste quantas pessoas já foste com o que já escreveste?
I dare you :)
"Os dias foram passando e nas mãos havia a segurança de um caminho planeado, na mente as expectativas ingénuas de quem desconhece a natureza do que vê e, nos olhos, a vontade de seguir em frente".
Sinto-me assim. Pela primeira vez na vida não tenho um plano para amanhã.
E estou bem com isso.
Afinal de contas, "estamos aqui para ser felizes" :)