4 de junho de 2009

Escrever-te

As letras misturam-se e as frases que construo levam-me a ti. Finjo que é falta de inspiração e rasgo as folhas que escrevi, mas a cada recomeço encontro o teu sorriso e não sei como apagá-lo da mente. Apetece-me esquecer tudo, limpar as horas e voltar à página em branco para que, de uma forma menos inocente, eu consiga contornar tudo o que me fez chorar.
E a verdade é que as linhas que traçamos no chão nem sempre se mantêm firmes, rectas e intransponíveis. Os dias forçam-nos a escolher as palavras, a olhar o chão que tencionamos pisar antes de o fazer, a provar antes de comer. E é tudo tão simples que chega a tornar-se complexo: uma borboleta não é só uma borboleta, mas é a forma como olhamos que a transforma em muito mais do que isso. Tudo à nossa volta se ajusta ao nosso olhar e, quase sem saber, fazemos da vontade de viver uma desculpa para vergar o quotidiano aos passos que damos.
Mas, para já, quero que as palavras me obedeçam. Preciso que as minhas palavras deixem de ser tuas e voltem a submeter-se a mim. Quero que o escrever, sobretudo o escrever-me, não seja escrever-te.

5 comentários:

Rute Correia disse...

"quase sem saber"... =)

Anónimo disse...

Recomendo-lhe este Blogue


http://poemasdaguarda.blogspot.com/

Daemon disse...

Quando algo se torna parte do nosso quotidiano, é difícil apagar, remover todas as referências que cria em nós, e começar de novo. Vai lá com o tempo :)

elmary disse...

"E é tudo tão simples que chega a tornar-se complexo..." são assim os teus textos tão simples e tão ricos e complexos, eu tenho que ler primeiro e depois voltar a ler e reler para assimilar toda a essência do texto.
Gosto...

Gavi disse...

naum te lia há séculos e á parvo da minha parte. e tenho noção de que já da última x q t li disse o mesmo! e tenh saudades d escrever pra além d ler ;p ver se pomos blog em dia, como nos bons velhos tempos em que tds os sentimentos por mais estranhos que fossem cabiam num post e acalmavam a alma* boas férias e bom repor de energia :D