30 de janeiro de 2015

Dança

As palavras que escorregam na ponta da caneta dançam. Ondulam pelo papel, pulam nos verbos, rodopiam nos adjectivos. Fazem de cada frase um espectáculo e de cada parágrafo uma temporada de teatro. Organizam um bailado só para mim, sem seguir ordens de director ou argumentista.

Dançam apenas, como se a música não fosse a minha mente. Nos dias em que o espectáculo é triste, aninham-se umas nas outras, tímidas e escuras. Nas sessões mais animadas abrem as vogais e quase cantam. Há dias em que até insistem em rimar. E nunca, mas nunca, param de dançar.


Foto: Daniel Nunes

1 comentário:

VitorNani disse...

Que sua dança seja infinita!
Abraços e boa semana!

VitorNani & Hang Gliding Paradise